Boletim de Aplicação
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O
que é o Desenvolvimento em Cromatografia Planar?
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Resumidamente, o modo
“clássico” de desenvolvimento de um cromatograma é colocar uma placa
TLC/HPTLC em uma câmara fechada, também chamada de cuba
vertical onde contém uma quantidade adequada de solvente. A
base da placa deve ser imersa alguns milímetros nesta solução. Através
da ação de forças capilares o solvente move-se para cima até a distância
desejada onde então, a corrida é interrompida.
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Porém, algumas considerações
devem ser feitas pois assim que a cuba é fechada os seguintes processos
iniciam-se:
:: O
equilíbrio entre os componentes do solvente de desenvolvimento e
sua fase de vapor (1). Dependendo da pressão de vapor dos componentes
individuais a composição da fase gasosa pode ser significativamente
diferente da composição do solvente de desenvolvimento
:: Enquanto
a fase estacionária (placa) estiver seca adsorverá moléculas da
fase gasosa. Este processo é também um equilíbrio, chamado saturação.
Particularmente os componentes polares serão removidos da fase gasosa
e carregados para a superfície da fase estacionária (2)
::
Simultaneamente, a parte da placa que ainda está úmida com a fase
móvel interage com a fase gasosa (3). Assim, especialmente o componente
menos polar do líquido é liberado para a fase gasosa.
::
Durante a migração, os componentes da fase móvel podem ser separados
pela fase estacionária sob certas condições, causando a formação
de fronts secundários |
Com a exceção de líquidos
com um único componente (solventes puros), o solvente de desenvolvimento
e a fase móvel, estritamente falando, não são os mesmos. Suas composições
mudam com o progresso da cromatografia. Infelizmente, os termos
“Solvente de Desenvolvimento” e “Fase Móvel” são freqüentemente
usados como sinônimos. Na verdade, apenas o líquido na cuba pode
ser chamado de Solvente de Desenvolvimento enquanto que o líquido
que se move através dos constituintes da placa é a Fase Móvel. Apenas
a composição do solvente de desenvolvimento no momento em que ele
é colocado na cuba é realmente conhecido.
Os processos (1) e (2) podem ser experimentalmente
melhorados por:
::
Revestindo a cuba internamente com papel de filtro embebido em solvente
de desenvolvimento
:: Aguardando
um certo tempo entre a colocação do solvente de desenvolvimento
dentro da cuba e o início da cromatografia – Saturação da Cuba
:: Permitindo
a interação da placa com a fase gasosa antes do desenvolvimento
do cromatograma, isto é, sem contato com o solvente de desenvolvimento
– Pré Condicionamento
As interações (2) e (3) podem ser afetadas pela
colocação de uma placa contrária a uma distância de alguns milímetros
da placa cromatográfica. Isto é chamado“Configuração Sanduíche”.
Na maioria dos casos em Cromatografia Planar não
há um equilíbrio entre as fases móvel, estacionária e gasosa. Devido
a isto é muito difícil descrever matematicamente corretas as condições
de desenvolvimento.
Resultados cromatográficos reprodutíveis podem
ser apenas esperados quando todos os parâmetros forem mantidos os
mais constantes possíveis. A forma e a saturação da cuba atuam como
papéis predominantes para tal.
Infelizmente isso significa que o resultado cromatográfico
é diferente em cada cuba! Não existem cubas “boas” ou “ruins”, entretanto
pode-se controlar melhor os parâmetros em algumas cubas do que em
outras, isto é, algumas cubas são mais reprodutíveis que outras.
Além da forma “clássica”
com cubas
verticais ou cubas
horizontais, pode-se desenvolver o cromatograma de maneira automática
- ADC2
- ou por meio de gradientes de solventes. |
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Como?
Através do equipamento chamado AMD-2
Automated Multiple
Development
O AMD-2 é o único método de sucesso que
permite reprodutibilidade com o uso de sílica gel como fase estacionária
em eluição por gradiente. Em cromatografia líquida o gradiente só
é possível através de colunas de fase reversa. A sílica gel não
pode ser usada devido à degradação irreversível em usos múltiplos.
No caso da Cromatografia Planar isto não é relevante. |
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Princípio do AMD-2:
O cromatograma é desenvolvido repetidamente na mesma direção
A cada corrida parcial, a distância de migração do solvente é maior
que a anterior
Entre as corridas parciais o solvente é completamente removido
da cuba, e a placa é seca através de vácuo
Cada corrida parcial utiliza um solvente com menor força de eluição
que o anterior. Com isso um gradiente de eluição passo a passo é
formado
A combinação do efeito de foco e o gradiente resulta em bandas
extremamente estreitas. A largura típica do pico é de aproximadamente
1mm. Isto significa que com a distância de separação de 80mm, até
40 componentes podem ser completamente resolvidos - alto poder de
separação |
Mas como é o Funcionamento do AMD-2?
| Toda as informações sobre tipos e volume
de solventes, tempo de secagem da placa, distâncias de corrida,
etc, são controladas via software winCATS
previamente.
A placa é colocada dentro da cuba e os solventes em cada frasco.
Pode-se usar até 5 solventes diferentes. Neste exemplo foram usados
apenas 2 solventes. |
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A bomba puxa o primeiro solvente já na quantidade certa, configurada
pelo software e leva para uma câmara de pré mistura.
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| Depois a bomba puxa o segundo solvente para a câmara.
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| Um pouco de ar entra no sistema para garantir a
mistura homogênea.
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| Nesta etapa é feita a saturação da cuba com a fase
gasosa
Quando os solventes já estiverem misturados a bomba leva a solução
até a cuba, onde entrará em contato com a placa.
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| Quando o sensor CCD “enxergar” que a primeira mistura
já atingiu a altura pré-definida na placa, a solução é retirada
e há posterior secagem da placa por vácuo.
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| O próximo passo inicia-se
com a nova dosagem dos solventes e mistura do gradiente e repete-se
todo o processo até que as substâncias estejam separadas e resolvidas.
Abaixo uma tela do software que mostra a programação dos solventes
e o diagrama de gradiente:
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O sistema de desenvolvimento automático consegue
controlar muito melhor todos os parâmetros, principalmente o mais
crítico que é a saturação da fase gasosa.
No passado era preciso muita experiência em cromatografia para
escolher e encontrar o sistema solvente adequado para um dado problema
de separação. Com a técnica do AMD-2 a otimização do gradiente de
solvente torna-se rotina!
Vamos a um exemplo desta otimização:
Determinação de Sulfonamidas em
Rações Animais*
Sulfonamidas e antibióticos são administrados aos animais como
suplementos alimentares. Sua identificação e quantificação seguras
são tarefas para os laboratórios de vigilância e regulamentação.
Como os suplementos alimentares contêm complexas substâncias estranhas,
os quais são extraídos junto com as drogas, é exigida uma separação
cromatográfica confiável da matrix.
Além do alto poder de separação, o AMD-2 possui duas características
úteis para este propósito:
- A distância de migração do componente individual é independente
da matrix da amostra, o que não acontece no desenvolvimento normal,
em apenas um passo
- Quando o densitograma é sobreposto com um diagrama de
gradiente, conforme figuras dos passos abaixo, a região do gradiente
que causa a separação das frações pode ser identificada
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| As moléculas são muito parecidas entre
sulfadimidine e dimetridazole; a diferença é de apenas um grupo
metil (CH3), por isso a dificuldade na separação. |
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| Passo 1
Foi usado gradiente universal normal baseado em diclorometano,
fase gasosa básica
Resultado
- Não há separação de (1) e (2)
(3) está razoavelmente separado
Variando a fase gasosa para ácida há melhor
separação de (3), mas não há mudança significativa de (1) e (2)
Conclusão
A seletividade precisa ser mudada. No AMD-2 isto significa mudar
a base do solvente |
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| Passo 2
Usado gradiente baseado em diisopropileter
Resultado
- Todas as substâncias começam a se separar, porém
a resolução é insuficiente
Conclusão
Diisopropileter é um solvente indicado
O gradiente deve ser mais fraco
A parte não polar não é necessária, isto é, o gradiente do diisopropileter
para hexano |
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| Passo 3
A partir das conclusões do passo 2, o gradiente foi definido.
Três passos de desenvolvimentos isocrático com metanol foram necessários
para assegurar que nenhuma substância permaneceu na fase estacionária,
na linha de aplicação da amostra onde analitos ficam escondidos.
Resultado
Boa separação e resolução dos três componentes |
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* O procedimento completo para determinação
de sulfonamides e tetracyclines em rações é descrito em CAMAG
Application Note A-29.
Em diversas outras aplicações, a separação também é melhorada
com o uso do sistema de gradiente AMD-2.
Alguns métodos desenvolvidos pela Camag: Análise de carboidratos (CAMAG Application
Note A-58), aminas carcinogênicas (CAMAG Application Note A-64), pesticidas em água potável (CAMAG Application Note A-28), fosfolipídeos (CAMAG Application
Note A-52), gangliosídeos (CAMAG Application Note
A-61), colesterol (CAMAG Application Note A-36).
Referências Bibliográficas:
CAMAG AMD System Catalogue
CAMAG Planar Chromatography 2003 Catalogue
CAMAG Application Notes
CAMAG Bibliography Service (CBS)
CAMAG Parameters of Planar Chromatography – Useful hints
Journal of Planar Chromatography
Bauer Karin, Gros Leo e Sauer Werner - Thin Layer Chromatography |
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